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Mato Grosso

OAB e associação afirmam que objetivo de desfile com aptos à adoção foi distorcido

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Divulgação / Reprodução

A OAB Mato Grosso e a Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) afirmaram, no fim da tarde desta quarta (22), que o evento “Adoção na Passarela” teve o seu objetivo principal distorcido e negou que a ação foi prejudicial aos jovens que desfilaram.

O evento, realizado no Pantanal Shopping na noite de terça (21), foi duramente criticado nas redes sociais. Internautas disseram que as crianças foram expostas no evento e lamentaram as consequências psicológicas que elas podem sofrer caso não sejam adotadas. A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso emitiu um comunicado repudiando o desfile..

Por meio de nota, a OAB-MT e a Ampara afirmaram que o evento teve o objetivo de promover a convivência social e mostrar a diversidade da construção familiar, por meio da adoção, com a participação das famílias adotivas.

As instituições afirmaram que repudiam qualquer tipo de distorção do evento, que possa associá-lo a “períodos sombrios da nossa história”. Segundo a OAB-MT e a Ampara, em nenhum momento houve a exposição de crianças e adolescentes

Conforme as entidades, nenhuma criança ou adolescente foi obrigado a participar do evento. “Todos eles expressaram alegria com a possibilidade de participar de um momento como esse. A ação deu a eles a oportunidade de, em um mundo que os trata como se invisíveis fossem, integrar uma convivência social”, menciona a nota, que ressalta que esta foi a segunda vez em que o desfile foi realizado – a primeira foi em 2016.

As entidades ainda ressaltam que as crianças e adolescentes desfilaram na companhia de seus “padrinhos” ou com seus pais adotivos. A realização do evento ocorreu sob autorização judicial conferida pelas varas da Infância e Juventude de Cuiabá e Várzea Grande, bem como o apoio do Poder Judiciário. “Vale destacar que o desfile foi apenas uma das ações da 'Semana da Adoção'. Ao longo dos dias do evento foram realizados também palestras, seminários e recreação para as crianças”.

Adoção tardia

Conforme a OAB-MT e a Ampara, a falta de interessados na adoção tardia faz com que seja urgente medidas como a Semana da Adoção, que tornam público esse problema social. “Conforme o Relatório de Dados Estatísticos do Cadastro Nacional de Adoção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 8,7 mil crianças e adolescentes aguardam por uma família”.

Na edição anterior do evento, realizado em 2016, dois adolescentes, cujo perfil está fora dos parâmetros de preferência da fila de interessados, foram adotados devido ao trabalho realizado, que deu visibilidade à questão, segundo as entidades.

Na nota, ainda afirmam que medidas para conscientização sobre adoção tardia são tomadas em diferentes regiões do Brasil, por meio de projetos como “Esperando por você” (ES), “Adote um Pequeno Torcedor” (PE) e “Adote um Pequeno Campeão” (MG).

Por fim, as entidades pedem que a sociedade faça uma discussão séria sobre medidas para o acolhimento de crianças e adolescentes.

Escola Superior do Ministério Público defende ação

O diretor da Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT) e promotor de Justiça, Joelson de Campos Maciel, manifestou apoio à Ampara. “A questão deve ser debatida com muita responsabilidade. Criança não é mercadoria. O que se fez ali foi aumentar a visibilidade da criança e do adolescente num mundo que gira em torno dessa necessidade”, disse.

“Elas só existem se forem vistas através das lentes da tecnologia. É preciso usar também desses mecanismos em shopping, em Facebook, em campanhas do futebol para que se aumente o apoio à causa da adoção. Quem sabe agora, com essa polêmica, as pessoas consigam discutir mais o problema; abram os corações e os lares para as crianças que precisam muito”, ressaltou.



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