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Polícia

FIES: Filhos de fazendeiros, servidores, políticos e empresários compraram vagas em universidade

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Divulgação / Reprodução

As investigações da Polícia Federal, que culminaram na deflagração da ‘Operação Vagatomia’, nesta terça-feira (03), apontam que filhos de fazendeiros, servidores públicos, políticos e empresários compraram vagas e financiamentos na universidade acusada de fraudes na concessão do Financiamento Estudantil do Governo Federal (Fies) e transferências de alunos do exterior (principalmente Paraguai e Bolívia) para o curso de medicina em Fernandópolis (SP). No total, foram expedidos 22 mandados de prisão nesta primeira fase da ação. Entre os alunos acusados de participar da fraude estão filhos de fazendeiros, servidores públicos, políticos, empresários e amigos dos donos da universidade, todos com alto poder aquisitivo, que mesmo sem perfil de beneficiário do Fies, mediante fraude, tiveram acesso aos recursos do Governo Federal.
 
Com a sistemática atual de inclusão de dados e aprovação do Fies pelas próprias universidades privadas (beneficiárias dos recursos que aprovam) a Polícia Federal estima que milhares de alunos carentes por todo o Brasil podem ter sido prejudicados em razão destas fraudes.
 
Com o incremento desordenado de alunos de medicina no campus em Fernandópolis (SP), a qualidade dos estudos foi prejudicada e alunos que ingressaram de forma regular procuraram o Ministério Público Federal (MPF) para denunciar as fraudes.
 
Os alunos e pais que aceitaram pagar pela vaga e/ou financiamentos públicos, também responderão pelos crimes em investigação na medida de suas culpabilidades.
 
Nova investigação será iniciada imediatamente pela PF objetivando identificar todos os pais e alunos que concordaram em pagar pelas fraudes praticadas pela organização criminosa e, portanto, também praticaram crimes.

Operação

No total, são aproximadamente 250 policiais federais que cumprem 77 mandados judiciais expedidos pela Justiça Federal de Jales/SP nas cidades paulistas de Fernandópolis, São Paulo, São José do Rio Preto, Santos, Presidente Prudente, São Bernardo do Campo, Porto Feliz, Meridiano, Murutinga do Sul, São João das Duas Pontes e Água Boa, em Mato Grosso.

Entre as ordens estão 11 prisões preventivas, 11 temporárias, 45 buscas e apreensões e dez medidas cautelares (alternativas à prisão). A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o valor de R$ 250 milhões.

Durante oito meses de investigações, a PF apurou as informações recebidas e concluiu que o líder da organização criminosa é o próprio dono da universidade, que também ocupa o cargo de reitor. Um empresário, de 63 anos, e seu filho, que também é sócio do grupo educacional, não só tinham conhecimento, mas também participavam dos crimes em investigação. Uma estrutura formada por funcionários e pessoas ligadas à universidade dava condições para que as fraudes fossem realizadas.

Todo o material apreendido será encaminhado para a PF em Jales/SP para a realização de análise no interesse das investigações em curso. Os presos foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas de informações e estelionato majorado, cujas penas somadas podem chegar a 30 anos de reclusão. Eles serão ouvidos e posteriormente conduzidos para cadeias da região de cumprimento da prisão onde permanecerão presos à disposição da Justiça Federal.

O nome da operação Vagatomia foi utilizado em alusão ao termo “tomia” que significa “corte”, comumente utilizado em palavras que denominam procedimentos cirúrgicos. Como os investigados reduziam as vagas do curso de medicina e FIES, na medida em que as vendiam, candidatos que teriam direito ao financiamento do Governo Federal sofriam com o corte das vagas disponíveis.



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