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Leitos fechados impedem duas mil cirurgias em 6 meses no Hospital de Câncer

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Divulgação / Reprodução

Cerca de duas mil cirurgias oncológicas deixaram de ser feitas no Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan) nos últimos seis meses. Os números fazem parte de uma denúncia de profissionais que atuam na unidade. Neste período, segundo os profissionais, 40 leitos estão fechados, resultando no número de procedimentos não realizados. Desde 1997 a instituição atende os pacientes com suspeita ou diagnóstico de câncer no Estado, sendo cerca de 97% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pela filantropia. Esta é a segunda reportagem da série “Dossiê Saúde” que traz à tona problemas referentes à unidade de saúde, referência em tratamento oncológico no estado.

O HCan realiza cerca de metade de todos os tratamentos de câncer em Mato Grosso, sendo uma referência no CentroOeste. “O hospital está definhando, tem alas inteiras fechadas. Não é certo acontecer isso com a população de Mato Grosso”, diz um funcionário da unidade que não quis se identificar.

Outro profissional complementou que a cada dia a unidade tem estado mais vazia e que materiais novos estão acumulados em vários setores. “Tem um espaço em que há diversos mobiliários novos amontoados, diversas macas novas. São coisas que não conseguimos entender”, frisa.

Diretora-presidente da Associação de Trabalhadores Voluntários contra o Câncer de Mama em Mato Grosso, o MTmamma, Cleuza Dias, classifica como prejudicial o fechamento de leitos que atendem pessoas em tratamento contra o câncer. Ela enfatiza que os casos de câncer só têm aumentado e o ideal é que os caminhos sejam mais acessíveis. Cleuza ressalta que a associação chegou a fazer um manifesto, em março deste ano, pedindo a melhoria do atendimento do sistema público. E já protocolou, junto à Secretaria de Estado de Saúde (SES), pedidos para que os meios de tratamento sejam disponibilizados aos pacientes. “Isso é lastimável e triste, pois o tratamento já é deficitário, imagina com fechamento”, complementa.

Médica radiologista, Ritamaris de Arruda Regis avalia que a redução de leitos afeta diretamente o tratamento da pessoa com câncer. É garantido por lei que os pacientes sejam atendidos dentro de um prazo determinado e não proporcionar o atendimento para um caso de câncer de mama, por exemplo, pode fazer com o que seria uma pequena cirurgia, progrida para a retirada de toda a mama. Ritamaris orienta pacientes que não estejam sendo atendidos que acionem a Justiça para ter essa garantia. “A chance de cura também fica comprometida. A falta de local para tratamento é muito impactante e acarreta vários riscos às pessoas que estão com câncer, podendo até evoluir para situações graves”, afirma.

Sem leitos 

Paciente do Hospital de Câncer há 4 anos teve a internação negada e acabou morrendo na semana passada. O filho, que preferiu não se identificar, diz que o pai já fazia tratamento na unidade devido a um câncer de próstata mas, no dia 26 de julho, passou mal e foi para o Pronto-Socorro de Cuiabá. A unidade solicitou a transferência do idoso de 69 anos. O filho conta que foi até o HCan e que nem mesmo o pedido do Pronto-Socorro tinha sido visto pela unidade. Ele ressalta que o local era o ideal para fazer o acompanhamento, uma vez que já conheciam todo histórico do pai, além de uma estrutura melhor que a do PS. “Eu falei com a coordenadora, falei que meu pai era paciente de lá, mas a resposta é que não havia vagas. Ela me disse que teria que esperar de 15 a 20 dias. Eu complementei, avisando que meu pai não resistiria. Foi o que ocorreu. No sábado ele morreu”, diz.



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